
Ontem na insônia calorenta ouvi rastejos pelo apartamento, não era o escolhido, que pena, eram as baratas reinando sobre restos de alimentos fazendo a festa diária, propagando liberdade, mas sempre de antena ligada com medo do chinelo assassino do outro bicho homem... Basta acender a luz para ver o desespero, me faz lembra a imagem dos moradores de favelas fugindo dos tiroteios entre traficantes e policiais.
Ai minhas amigas baratas, alguns amigos meus diriam "minhas amigas vacas", mas as baratinhas estão rondando meu inconsciente de forma que não consigo abandoná-las, muito embora tenha nojo das vermelhinhas noturnas... Por aqui rondam as chamadas francesinhas umas pequenininhas atrevidas que estão em todos os lugares, sapatos, pratos, banheiro, saleiro, armário, pia, bacias. De dia as danadas se escondem misteriosas em escuros inabitáveis. Fico a imaginar a sensação delas quando se aproxima um assassino de baratas de chinelo na mão, em ritmo de gato para não perder o alvo, mas elas são rápidas, parecem pressentir, a chegada da morte e correm com suas patinhas nojentas transmissoras de doenças. Ai minhas amigas baratas, tão solitárias nas suas buscas noturnas com anteninhas rastreadoras na cabeça... Ai ai ai minhas amigas baratas tão solitárias nos seus esconderijos diários... Isoladas elas só querem se proteger do assassino de chinelo na mão... Minhas amigas baratas tão solitárias e isoladas como muitos homens com chinelos nos pés.
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